Paisagem da Queda, o céu e a terra

Primeira individual da artista brasiliense Isabela Couto trata-se de um conjunto de desenhos e aquarelas, na fronteiras com exercícios de instalação, objetos e vídeo. Os trabalhos partem do interesse da artista sobre o desconhecimento de possíveis vidas existentes. Estejam elas sob as camadas da terra ou a nossa volta.

 

A mostra Paisagem da queda, o céu e a terra, em exibição no Elefante Centro Cultural, na Asa Norte, apresenta a primeira individual da artista brasiliense Isabela Couto. A exposição, com curadoria de Cinara Barbosa, apresenta ao público instalações artísticas com desenhos, aquarelas e objetos. Ela fica em cartaz até janeiro e a entrada é gratuita.
 

As obras vêm sendo desenvolvidas pela artista desde o início do ano; alguns trabalhos levaram mais de seis meses para serem concluídos, em razão dos detalhes e da dimensão. Com desenhos de 1,5 metros, aquarela de 2 metros, Isabela mostra sua direção na contramão de um mundo instantâneo que não permite a pausa. O tempo, portanto, é questão central na exposição.

A curiosidade acerca da profundidade subterrânea, que abriga seres cuja existência, segundo alguns especialistas, pode remontar ao surgimento da vida despertou o interesse de Isabela para o trabalho. "São vidas que existem há milhões de anos e que ainda hoje permanecem desconhecidas. A quantidade de vida sob o solo supera qualquer agremiação sobre a terra. Nossa ignorância a respeito desses seres é tão grande quanto sua quantidade. O mais curioso é pensar que estes seres comungam espaço com matérias que perderam a vida", afirma a artista.

A exposição está dividida em duas partes: o céu e a terra. No primeiro andar do centro cultural, o céu, o visitante terá contato com duas instalações intituladas “A queda” e “A criação”. Já no térreo, estão as obras “O subterrâneo” e “Caminho”.

Camada sobre camada, a vida comunga com a morte e é nesta que encontramos os  registros de passos e caminhos trilhados sobre a superfície do globo. Toda camada soterrada foi uma superfície habitada. A instalação do térreo, “O subterrâneo”, vem tocar neste campo. Ela provoca um devaneio de como seria uma viagem através das camadas mais profundas. "Uma viagem ao desconhecido, ao longínquo, onde, de tempos em tempos, voltamos e desenterramos questões não solucionáveis com respostas rápidas", explica Isabela.

Em contraposição, a superfície na qual habitamos é o agora. Ela está repleta de tecnologias humanas descartáveis, instantaneamente superficiais e que ignoram a durabilidade temporal. Para tratar esta questão, a obra “A queda”, no primeiro andar, traz uma aquarela de semente com perucas artificiais caindo. As perucas imitam hélices. Contudo, com a mutação, não há garantias de germinação e os cabelos sintéticos permanecerão indefinidamente sobre o solo.

Complementando a instalação “A queda”, “A criação”, um bioma em miniatura artificialmente criado por meio da manipulação da vida natural, levanta o tema da intervenção  humana no mundo. A intervenção não leva em consideração o tempo geológico (eras), mas apenas o tempo humano (dias).

Paisagem da queda, o céu e a terra é uma mostra sobre o tempo, a natureza e a profundidade dessas relações. "Poder lembrar que nossa existência não está só no agora, mas é fruto também de várias camadas sobrepostas possibilita o enraizamento referencial de nosso ser. A superficialidade da intolerância humana no trato de questões complexas negligenciam nossa historicidade. É essencial relembrar nossa profundidade", conclui Isabela.

SERVIÇO
Paisagem da Queda, o céu e a terra
Visitação: 26/11 até janeiro
Local: Elefante Centro Cultural - SCLRN 706, Bloco C - Asa Norte, Brasília - DF
Entrada franca
Classificação livre
Agendamento da visita: (61) 983425472

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